Nos festejos de rua formados por pessoas de origem humilde, com o som africano dos batuques e com fantasias improvisadas, desenvolvia-se uma nova cultura, o Carnaval. Na ditadura, órgãos de controle exigiam uma documentação que explicasse todos os detalhes de desfiles dos blocos de rua. Enredos não podiam criticar nenhum acontecimento, pois censores do regime também pressionavam.

Escolas como Acadêmicos do Salgueiro colocaram o negro como protagonista e resistente em todos os enredos e, seus desfiles se tornaram um sucesso. Sambas sobre liberdade também eram aclamados pelo povo e a aceitação foi geral. A Escola, bicampeã do carnaval em 1975, tinha uma das mais talentosas, que contribuiu para seu avanço, o saudoso Joãozinho Trinta.

Com o crescimento das escolas de samba nas ruas da cidade, problemas como falta de organização e disciplina afetavam seu funcionamento. Por isso, grupos de samba se profissionalizaram aos poucos.

A televisão e sua transmissão a cores se tornou novidade e o carnaval passa de festa popular a grande espetáculo lucrativo, pela venda de ingressos de desfiles. Contudo, apesar da audiência, as escolas de samba não mais se beneficiavam e, por causa da mudança de roupas e adereços nas fantasias, o envolvimento de bicheiros para o financiamento passou a acontecer.

A gravação em disco de vinil dos sambas-enredo passou a fortalecer as quadras e deixou lembrança dos anos 60, época em que se aprendia e cantava músicas em coro, na avenida. Por isso, os compositores começaram a disputar entre si para concorrer e crescer, envolvidos na festa mais famosa e saudada pelo povo brasileiro.

A exaltação da luta negra se fortaleceu muito nos anos 70 e um samba da Unidos da Tijuca mostra isso:

Magia Africana no Brasil e seus Mistérios (1975)

Trazidos da África para o Brasil

Trabalhavam os negros escravos

Na fazenda do branco senhor

Bahia do feitiço e da magia

Da dança e da capoeira

E do famoso candomblé

Texto originalmente publicado no Portal Favela Tem Memória.